
Paris, Te Amo é um filme de 2006, mas que estreou recentemente nos cinemas brasileiros. Trata-se de um longa metragem coletivo com 18 curtas, filmados por 21 dos mais criativos diretores do mundo, em seqüências com 5 minutos de duração em média. O grande desafio dado aos diretores foi filmar uma história de amor que aconteça em algum canto da Cidade-Luz, em um período de tempo tão restrito.
Muito mais que a fantasia de encontros amorosos, o filme oferece ao espectador uma definição abrangente e rica de como o amor se manifesta. Por exemplo, há foco no amor entre pais e filhos em alguns de seus 18 segmentos. Um dos mais emocionantes, o “Place des Victoires”, traz Juliette Binoche no brilhante e pungente papel de uma mãe que sente falta do filho recém-falecido. A delicadeza do final da história, com toques de realismo fantástico, ajuda a aliviar a dor da personagem de Binoche, assim como a emoção de quem a assiste.
Encontros amorosos também são retratados, como o curta que abre o filme. Assim é “Montmartre”, história de um sujeito estressado que tenta estacionar seu carro, mas que acaba encontrando afeto de forma inesperada, por meio de uma mulher que passa mal na rua. Também inesperados e algo incomuns, mas não menos incríveis, são outros pares românticos do filme. Isto pode ser visto na estória de uma atriz, interpretada por Natalie Portman, que vive um romance com um tradutor deficiente visual. Em outra, “Quais de Seine”, presenciamos quando surgem afinidades entre um garoto cristão e uma jovem muçulmana que usa hijab (aquele véu que cobre a cabeça). O amor maduro não foi esquecido, e é mostrado com sensibilidade nos segmentos “Bastille”, “Pigalle” e “Quartier Latin”, com a presença de gente do quilate de Gérard Depardieu, Miranda Richardson, Fanny Ardant e Bob Hoskins.
Mas é no último segmento, o curta “14e arrondissement”, que as estórias se integram e se explicam. A estória de uma simpática turista americana de meia-idade – independente, mas solitária e que descobre a si mesma enquanto explora a cidade –, sintetiza não apenas o estranhamento do olhar estrangeiro sobre a cidade, mas o estranhamento que às vezes sentimos em relação ao próprio amor: tristeza ou alegria, ou os dois ao mesmo tempo, mas que dá a certeza de nossa humanidade, pois nos sentimos vivos.
Paris, Te Amo não é um simples filme de amor. É uma metáfora sobre o amor – esse sentimento tão contraditório quanto necessário, e tão multifacetado quanto a nossa imaginação permitir. Algo imenso, mas ao mesmo tempo tão frágil. Abundante quando nos é permitido sentir, mas tão raro de se encontrar. Algo muito pessoal, mas que só sobrevive e faz sentido se for trocado. Algo muito mais dinâmico do que todas as teorias que tentam capturá-lo, o amor é feito de atitudes voluntárias.
E, o melhor, o amor é democrático, pois, diferente do filme, não precisamos estar em Paris para termos a chance que ele nos aconteça. Ainda assim, vale a pena assistir às 18, das incontáveis formas de amar que Paris, Te Amo nos presenteia.